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"Acho que meu primeiro encontro com Bruce foi quando ele ensaiava com o Samson em Kilburn, o que deve ter sido em 1979. Lembro que estava jogando sinuca e Bruce saiu do estúdio muito animado e eu pensei, ‘Quem é esse esquisitão?!’ Sua personalidade estava bem à frente do próprio homem. Mas conhecendo melhor Bruce, percebi que ele é um cara muito intenso.Quando entrei para o Maiden, ele era muito extrovertido, mas ao mesmo tempo introvertido. Quando ele tem uma boa idéia ele não desiste dela e fica animado, mas outras vezes ele seria tão absorvido pelo que estava pensando, que ficava em outro mundo. Sua mente me pasma. Ele é um gênio. E é também um lunático total – mas a maioria dos gênios é! E por dentro há um coração de ouro. |
No início, havia um pouco de egocentrismo. Ele era o líder da banda, e você não pode ser o vigoroso e teimoso líder de uma banda como o Maiden e ser tímido e fraco. Aparentemente, poucas coisas poderiam desconcertá-lo, mas interiormente ele é um homem muito sensível. Nós nos divertíamos muito juntos, mas ele também era um pouco ‘lobo solitário’ e ia fazer suas próprias coisas.
Ele entrou na esgrima, o que eu admiro nele, porque agora ele está em forma, mas ele não malha metade do que malhava antes. Ele era um ótimo esgrimista, foi convidado inclusive a fazer parte do time olímpico de esgrima em meados dos anos 80, mas não pôde porque precisava continuar em turnê com a banda.
Escrever livros vinha logo depois. Ele ficava insuportável quando escrevia aqueles livros Iffy Boatrace, porque você estava fazendo algo no ônibus e ele tinha acabado de escrever um capítulo e queria ler toda a história para você! Mas ele estava tão animado, você não pode cortar a empolgação de alguém assim.
Fiquei furioso com ele quando deixou a banda, pela forma que aconteceu e porque não queria que ele saísse. Mas quando voltamos para a sala para tirar aquela bela foto da reunião, parecia que tínhamos estado todos em férias por dois meses, em vez de quatro anos e no caso de Adrian, quase dez. O mais surpreendente em fazer música é que você realmente se conecta à música e também pessoalmente, em sua alma. Há uma vibração surpreendente que é sempre mantida e apesar de termos tido quatro ótimos anos com Blaze, quando Bruce e Adrian voltaram à banda, houve essa incrível conexão novamente.
Uma mudança que vi em Bruce, além de seu entusiasmo pela volta da banda a como era assim que eu entrei, é a autenticidade da emoção que sinto por dele. Ele mudou no sentido de estar mais resolvido e satisfeito, apesar de estar fazendo muito mais do que antes de deixar a banda. Ele tem seu programa de rádio, continua voando e tem um emprego de meio-expediente em uma banda como cantor! É uma satisfação ficar perto dele. Nos divertimos tanto na turnê ‘Give Me Ed’, quanto faremos na turnê de ‘Dance Of Death’.
Acho que seu melhor momento em ‘Dance Of Death’ é em ‘Journeyman’, porque mostra um lado mais leve da voz de Bruce. Há muito mais emoções sutis do que em outras músicas e há muito mais controle. A emoção que ele coloca na faixa é fenomenal."
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